Okay, eu
tinha prometido a mim mesma que não ia escrever isso, porque odeio me meter em
tretas de internet. Mas esse preconceito está me matando, e eu odeio ficar
omissa. Quando são coisas bobas como gostos, pessoas criticando minha série ou
banda preferida, por exemplo, eu fico quieta. Mas isso é sério, sabem? É um
preconceito antiquíssimo que está demorando muito para acabar (como vários
outros, inclusive).
Então
vou começar esse texto como muitos que já li: respondendo a perguntas e
afirmativas frequentes (e, algumas, estúpidas).
1-
“Eu
não sou feminista, não odeio homens”.
Nem preciso falar que isso não procede,
né, migas?
Se fosse assim, toda feminista teria de
ser lésbica!
Vocês estão confundindo o critério
semântico com o morfológico (da palavra). Não entenderam? Critério semântico é
relativo ao sentido, e morfológico, à forma. Só porque o movimento se chama
“Feminismo”, não significa que ele é como o “Machismo” (que subjuga o sexo
feminino). O feminismo não é em prol da SUPERIORIDADE da mulher em relação ao
homem, mas, sim da IGUALDADE entre ambos.
Eu, inclusive, adoro homens. São muito
mais divertidos como amigos, na minha opinião, e isso não me faz menos
feminista.
2-
“Não
preciso me vitimizar, por isso não sou feminista”
Mulheres que dizem isso estão dizendo:
“Isso mesmo, homens, pisem em mim, abusem de mim e me tratem como seu objeto
sexual, eu aceito ser humilhada por vocês”
Existe uma grande diferença entre se
vitimizar e reivindicar. Vejam se acompanham o raciocínio. A vítima é aquela
que, teoricamente, é incapaz de se defender, correto? Então, se as feministas
se fizessem de vítimas, exigiriam ser tratadas como sendo ainda mais frágeis, e
não como tendo capacidades iguais às do homem.
Mas vejam, em certos casos, como no
ESTUPRO, a mulher (na verdade, o ESTUPRADO, homem ou mulher) é a vítima, sim!
No machismo, a mulher TAMBÉM é a vítima!
Mas existe uma DIFERENÇA entre SER a
vítima e SE VITIMIZAR!
Feminismo não é sobre fazer drama, é uma
reivindicação que exige que as mulheres sejam tratadas com respeito (que é
diferente de bajulação).
3-
“Por
que vocês não lutam pelo alistamento militar obrigatório?”
Amigo, a resposta é simples: PORQUE
SERIA OBRIGATÓRIO!
Ninguém gosta de ser obrigado a algo.
Vamos discutir o caso dos homens?
Há homens que não quiseram se alistar
para o exército, mas, como foram obrigados, o fizeram (ou não, há casos de
“drible” dessas regras).
O caso é que os homens são,
naturalmente, fisicamente, mais fortes. Isso não significa que são superiores,
e também não significa que uma mulher não pode ser mais forte que um homem. É
um raciocínio um tanto complexo de explicar, mas vamos tomar como exemplo um
homem e uma mulher de mesmo peso, altura, condicionamento físico e idade? O
homem, provavelmente, será mais forte. PROVAVELMENTE, não absolutamente.
Isso é uma justificativa para o
alistamento obrigatório ser para homens, porque, eventualmente, precisamos de
um exército, e, talvez, se o alistamento não fosse obrigatório, não o teríamos.
MAS NÃO ESTOU DIZENDO QUE CONCORDO.
Como o exército é uma instituição
antiga, assim como o machismo é um modo de pensar secular, o modelo primário de
exército é constituído por homens, e mulheres têm dificuldade de ingressar
nessa carreira.
Na verdade, aonde quero chegar é no
ponto em que o alistamento será voluntário para AMBOS, homens e mulheres.
Não posso afirmar se funcionaria, pois,
pessoalmente, eu não me alistaria (nem se fosse homem), talvez houvesse uma
diminuição no número de militares, mas não sou vidente, o que temos são
teorias.
O que queria dizer é que é injusto
exigir uma reivindicação para algo obrigatório.
4-
“Posso
ser homem e feminista?”
Olha, cara, se eu disser que não pode,
você vai deixar de pensar como feminista?
ESPERO QUE NÃO.
Feminismo não é um fã clube do qual você
só pode participar se tiver pré-requisitos básicos. Participa quem pensa de
acordo com o movimento, que se dane quem disser que pode ou não.
E, sim, um homem feminista é muito mais
homem que um machista, porque ele sabe que não vai perder sua masculinidade se
aceitar a mulher como uma igual. Eu gosto de pensar que machismo é sinônimo de
insegurança.
Como eu li em um blog (cujo link é esse http://www.alinevalek.com.br/blog/2013/06/faq-feminista/ ),
“o pau não cai”.
5-
(essa
frase foi dita POR FEMINISTAS, mas, mesmo assim, eu quero debatê-la)
“Cavalheirismo
é Machismo”:
Quando eu li isso, parei um pouco para
refletir, porque é um bom argumento. Mas, depois, cheguei à conclusão de que
não é bem assim.
Um cara cavalheiro não é apenas um cara
que é gentil COM MULHERES. Ele é gentil com idosos, crianças, com todos.
É claro que um cara não vai puxar a
cadeira do restaurante pro amigo quando forem tomar uma cerveja, mas o cara que
puxa a cadeira da namorada não o faz porque pensa que ela não consegue. Rola
toda uma tradição por trás disso. É apenas uma gentileza.
Exemplo: Um casal homossexual, composto
por dois rapazes. Eu acharia perfeitamente natural um abrir a porta para o
outro, ou ajudá-lo a descer uma escada. Compreendem o raciocínio?
Um casal lésbico: Idem.
Além disso, um rapaz pode, muito bem,
carregar um peso para sua namorada (peso que ele sabe que ela consegue levar
sem problemas, porque ele não é machista e vê sua parceira como uma mulher
forte e independente), por GENTILEZA.
E, mais uma coisa: Roupas.
Eu, pessoalmente, sou uma pessoa que
detesto expor meu corpo. Não uso vestidos sem uma meia calça escura, não tenho
shorts, blusas que mostram a barriga, saias ou biquínis. E, vejam só, isso
também é um estereótipo. Enquanto há feministas que brigam para poderem mostrar
seu corpo com liberdade e sem serem depreciadas (o que eu acho justo), há
outras que reivindicam o direito de escolherem NÃO tornarem a imagem de seu
corpo uma coisa de domínio público. Há essa visão da mulher como decorativa,
pernas bonitas, seios e nádegas redondinhas, lindas de ver numa legging, uau,
sim queridos, podem olhar, mas não pensem que só porque uma mulher não mostra
seu corpo, ela é “feia” (até porque o conceito de bonito e feio daria um debate
interminável). Ela pode ser um mulherão, no estereótipo popular, e escolher não
se expor (não estou criticando aquelas que o fazem. O ponto aqui é a igualdade).
Então,
pessoas, como meu objetivo ao escrever esse texto não era atiçar mais a fúria
de machistas e, sim, esclarecer algumas coisas, espero que tenha realmente sido
de ajuda, e se for fazer algum comentário preconceituoso, leitor, abstenha-se.
Agradecida
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